Novamente a reforma política volta à baila. Acho que já virou tradição momesca. Todo ano trazem o bloco à rua e requentam velhas marchinhas. Esse ano não é diferente e iniciaram os debates prometendo uma grande reforma política. Já posso ouvir o bloco chegando: “.... olê, olê, olê, olá, o listão chegou para ficar”.
É o momento apropriado para perguntar: quem lhe representa no Parlamento, seja ele Federal, Estadual ou Municipal? Quando muito, lembramos em quem votamos na ultima eleição, e se esse candidato perdeu, ficamos sem representante ou temos que cair na vala comum e ouvir: "eu represento o povo do meu Estado" ou "eu represento o povo do meu município". Bem, alguns dirão que é melhor do que ouvir: "eu represento a massa...." ou outras pérolas do gênero. Mas a realidade é que quem representa todos não representa ninguém.
Em nível federal nosso Parlamento é bicameral, com os senadores representando os Estados Federados mais o Distrito Federal e os deputados representando, teoricamente, o povo.
Mas, desçamos à planície e mantenhamos nossa conversa mais próxima de nossas casas e restringindo a pergunta: Quem é seu representante na Câmera Municipal? Não, não em quem você votou, mas quem lhe representa? Todos os vereadores?
Bem, vamos fazer a mesma pergunta em outros termos. Se o asfalto de sua rua está esburacado, o esgoto a céu aberto, a escola em petição de miséria e você sente um frio na espinha só de pensar em ir ao posto de saúde, a qual representante eleito você deve direcionar suas queixas? Resposta difícil, não? Se você pensou "ao prefeito", esqueça!
A resposta a essa pergunta somente seria possível com o voto distrital. Sistema eleitoral que limita geograficamente o universo de eleitores, dividindo as cidades ou Estados em distritos eleitorais que elegeriam seus representantes através de eleição majoritária. Conseqüentemente, todos seriam representados e saberiam quem é seu representante, tendo votado nele ou não. Paralelamente, as campanhas políticas teriam seus custos reduzidos à uma fração dos atuais, pois ficariam restritas a distritos e não mais difusas em todo o Estado ou toda a cidade. Permitiria-nos saber exatamente quais regiões/distritos e - o pulo do gato - quais os eleitores seriam representados por quais deputados/vereadores. Aos eleitores caberia maior responsabilidade cidadã, pois seriam os fiadores de seus representantes perante a sociedade, tendo em vista que se saberia exatamente a quais cidadãos os Tiriricas que povoam nosso universo político representariam. Convenhamos, ninguém, em sã consciência, gostaria de inflar o peito e anunciar a seus filhos e aos quatro-ventos: - Somos representados pelo "Tiririca, o abestado".
Não tenho absolutamente nada contra a digna profissão de palhaço, mas o voto de mais de um milhão e trezentos mil eleitores neste personagem circense evidencia de maneira cabal a indignação e descrédito de um povo em seu parlamento e seu sistema eleitoral. Repito, os votos foram dados a um personagem, pois toda a campanha eleitoral foi realizada em cima do personagem Tiririca - "Pior do que tá não fica, vote Tiririca"- e não do cidadão Everaldo Silva, que por coerência deveria ter assumido o cargo paramentado como tal, assim como se mostrou aos eleitores durante o período eleitoral para captação dos votos.
Nos debates, que ora assistimos passivamente, nossos caríssimos deputados federais alardeiam sistemas de listas, distritão e outras criativas invenções em detrimento do sistema eleitoral distrital, puro e simples, utilizado a centenas de anos em vários países. Porém, no meu ponto de vista, a principal característica desta reforma é que: "Com a qual ou sem a qual as coisas deverão continuar tal e qual".